Falo, falo, falo e ninguém me entende

28/04/2017

A inabilidade na comunicação vem causando muitos problemas nas relações. Para que a gente consiga dizer o que quer, pensa e sente, sem ofender ao outro e/ou sem abrir mão dos nossos desejos, é necessário que saibamos nos comunicar bem com o nosso interlocutor.

Esse texto pretende expor pontos importantes para uma comunicação eficiente.

Existem três maneiras de se comportar: agressivamente, assertivamente ou passivamente. Na maior parte das situações, a maneira assertiva é o modelo mais eficiente. Ser assertivo quer dizer saber expressar desejos, pensamentos e sentimentos de maneira clara e verdadeira, sem ofensas ao ouvinte.

Perceba que o primeiro passo para uma boa comunicação é saber exatamente aquilo que se quer. 

Qual é o meu real desejo? Aonde espero chegar? Como vou dizer sobre isso?

Preciso estar ciente de algumas ideias pré-comunicação, coisas que passam pela minha cabeça e sobre as quais só eu tenho acesso:

  • Estou ciente de que eu e também qualquer outra pessoa tem o direito de dizer NÃO?
  • Uso a minha postura corporal e meu tom de voz bem relacionados com as minhas palavras?
  • Tenho crenças - interpretações prontas - que pioram o meu problema ou meu sentimento acerca de algum acontecimento?
  • Estou ciente de que meus sentimentos e o manejo deles são um problema exclusivamente meu? Ou acho que as outras pessoas têm o poder de me causar sentimentos?
  • Estou disposta a ouvir o meu interlocutor? Não existe diálogo de uma pessoa só!

Depois de pensar e elaborar as questões acima, técnicas de assertividade podem ser úteis para que consigamos resolver problemas, lidar com críticas, fazer críticas, lidar com elogios, dizer não, compreender melhor meu interlocutor e criar relacionamentos mais prazerosos.

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Sobre a compreensão:

Escute com real interesse o que a outra pessoa diz e deixe ela saber que você a compreendeu usando algumas de suas palavras.

Porém, estando ciente de seu verdadeiro desejo, não se deixe levar pelos argumentos das outras pessoas. Repita seus argumentos com a técnica do disco rígido. Se precisar dizer não, diga sem culpa e sem desculpas. Mas pense e aceite as consequências de dizer não. Cuidado com crenças falsas do tipo:

"se eu negar, não serei mais querida";

"se eu disser que não quero, vão me julgar egoísta";

"tenho que ajudar a todo mundo em todo momento e então não posso recusar nada";

"ser boa é estar sempre sendo condescendente";

"não posso dizer que não quero para não magoar ninguém";

"se eu não realizar esse pedido deixarei fulano em apuros, pois só eu posso fazer isso".

Substitua suas crenças falsas por pensamentos mais funcionais que dizem do seu direito de ser tratada com respeito e de não assumir os problemas de outras pessoas.

Estabelecendo acordos viáveis

Para que eu possa negociar algo com alguém, preciso saber do meu interesse e também do interesse da outra pessoa. Cuidado para não confundir interesse com posição!

Interesse é o desejo. Posição é o lugar que eu assumo na intenção de alcançar o meu desejo.

Para estabelecer acordos, fale sobre seus desejos, escute o desejo do outro ou procure por dicas que possa desnudá-lo e negocie em cima disso. Importante que o debate seja aberto e que os interesses de ambas as partes possam ser satisfeitos. Afinal, um bom negócio é aquele em que todo mundo sai ganhando!

E quando sou criticado?

Pense sobre a veracidade da crítica.

Se ela for verdadeira, concorde com ela sem procurar por absolvição, sem justificativas e sem ataque a outra pessoa.

"Sim, você tem razão. Deixei as roupas desorganizadas."

Se a crítica não for válida, diga isso.

"Essa semana eu não deixei as roupas desorganizadas."

Se for meia verdade, aceite somente a parte justa.

"Eu costumo deixar as roupas organizadas, mas hoje realmente deixei muita coisa bagunçada."

Esteja convicto do seu direito de cometer um erro.

Você também pode pedir mais detalhes sobre a crítica com a técnica da interrogação negativa. Assim, poderá pedir mais informações sobre aquilo por que está sendo criticado. Essa técnica pode ser usada com a afirmação negativa.

Também é seu direito saber sobre as partes positivas. Sendo assim, use a técnica da reavaliação.

"De vez em quando eu realmente ajo de forma desorganizada. Hoje, aonde você percebeu desorganização? Como isso te afeta? Tem coisas que ficaram suficientemente organizadas? "

E quando faço críticas?

Assegure-se de estar criticando um comportamento, não a pessoa que se comporta. Seja específico na sua crítica, deixe claro do que não gostou.

Assuma a crítica feita, se coloque como EU. Reflita no que essa crítica diz a respeito de você mesmo. Levante também críticas positivas.

"Eu fiquei chateada quando vi que deixou os brinquedos desorganizados. Mas aprecio a forma como organizou os materias escolares."

Relacionamentos - dicas infalíveis!

  • Cuide de você primeiro: saiba o que quer, perceba seus diálogos internos e o que eles causam em você e aprenda a lidar com os seus sentimentos.
  • Imagine-se no lugar da outra pessoa. Inverta a conversa consigo mesmo, por exemplo.
  • Coloque os seu foco nos aspectos positivos da situação ou de um comportamento.

Eu espero que esse texto tenha lhe ajudado a pensar sobre a forma como você se comunica.

Uma comunicação clara, direta e gentil tem o poder de criar relações fortes e duradouras!

Texto: Gabriela L. Campos, psicóloga na CLIPEE.